Metrópole: Dr. Minicucci esclarece dúvidas sobre tumores na tireoide

Segundo Walter Minicucci, médico assistente da disciplina de Endocrinologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), embora se afirme que a alimentação pode ser um fator determinante para o aparecimento ou impedimento de várias doenças, não existe trabalho científico que demonstre sua importância no carcinoma de tireoide.

Ele informa que alguns tipos de tumor na tireoide são mais comuns em mulheres. O que não significa que os homens não devam estar atentos. “Pessoas que apresentem aumento rápido e doloroso na região devem procurar atendimento médico sem demora”, orienta.



À Metrópole, ele esclarece dúvidas sobre o diagnóstico, o peso da hereditariedade e o tratamento quando necessário, pois apenas 5% dos nódulos são malignos e levam à retirada da glândula. “Esses carcinomas, principalmente o papilífero, são pouco invasivos. Sua presença não é uma sentença de morte. O tratamento cirúrgico, geralmente, não deixa sequelas e permite uma vida longa e sem restrições”, ressalta.

MetrópoleO que explica o aumento de casos de câncer de tireoide?

Walter Minicucci – A maior parte dos pesquisadores nessa área defende que o fato de a população estar realizando mais exames de ultrassom, tomografia e ressonância magnética na região de cabeça e pescoço permite maior número de casos diagnosticados. Mas alguns estudos atribuem essa elevação à obesidade e ao consumo exagerado do sal iodado.

É verdade que o problema é mais frequente nas mulheres?

Walter Minicucci – As mulheres apresentam, aproximadamente, três vezes mais câncer de tireoide do que os homens. Os carcinomas mais frequentes são o papilífero e o folicular, sendo que 70% deles são diagnosticados em mulheres. Outros cânceres de tireoide mais incomuns têm frequência de aparecimento igual em homens e mulheres.

Qual é o perfil das mulheres mais acometidas pelo problema?

Walter Minicucci – Existem relatos de que mulheres que engravidaram mais vezes e que tiveram filhos com idade avançada teriam chance maior de desenvolver carcinoma papilífero de tireoide, mas isso é discutível. Geralmente, elas são mais acometidas na quarta e na quinta décadas da vida, embora também possa ocorrer, mais raramente, em jovens e adolescentes. Pessoas que foram expostas a radiação de pescoço ou cabeça quando crianças, sejam homens ou mulheres, também têm mais chances de desenvolver a doença. O câncer de tireoide tem um comportamento agressivo em pessoas com mais de 45 anos, principalmente em idosos. Elas, porém, podem, se tratadas adequadamente, ter um bom prognóstico. 

A doença costuma dar algum sinal?

Walter Minicucci – Ela é quase sempre assintomática. Devido à facilidade da realização do ultrassom e à preocupação com alterações desta glândula, os nódulos detectados hoje são pequenos, razão pela qual os pacientes, geralmente, não apresentam sintomas. Quando aparecem, esses sinais podem ser aumento rápido e doloroso na região, rouquidão, tosse seca e dificuldade para falar e engolir. Esses sintomas, no entanto, podem aparecer mais frequentemente em outras doenças.

Quais são os tipos de câncer na tireoide mais comuns?

Walter Minicucci – O carcinoma papilífero e o folicular constituem cerca de 80% dos carcinomas de tireoide, sendo mais comum o papilífero ou misto (papilífero-folicular). Eles tendem a crescer muito lentamente, frequentemente permanecem confinados na glândula, embora possam comprometer gânglios no pescoço. É importante ressaltar que a imensa maioria dos casos de gânglios em pescoço nada tem a ver com doenças de tireoide, mas, sim, com problemas de inflamação ou infecção de ouvidos, garganta ou couro cabeludo. Portanto, ao se notar um gânglio nessa região, será melhor aguardar um pouco e, não havendo melhora, deve-se procurar um otorrinolaringologista, primeiramente, antes de querer se submeter a um ultrassom.

Como é feito o diagnóstico?

Walter Minicucci – Normalmente, as pessoas não apresentam dor local e as determinações ou dosagens dos níveis de hormônio de tireoide (por exame de sangue) são normais. O que sempre identifica nódulos é o ultrassom. O diagnóstico de câncer é feito pela punção aspirativa da glândula, exame em que, por meio do ultrassom, o médico localiza o nódulo e com uma agulha fina faz punções para retirar gotas do material. Ele é colocado em lâminas de vidro e enviado para o citologista. O paciente é dispensado logo após a realização e pode seguir para o trabalho ou para casa normalmente, praticamente sem dor. É importante ressaltar que somente 5% dos nódulos de tireoide são malignos, portanto, diante do diagnóstico de nódulo, o paciente não deve, de modo algum, se desesperar. As chances de que ele não seja canceroso são muito altas.

Como é feito o tratamento?

Walter Minicucci – Na grande maioria dos casos, são nódulos benignos e não precisam ser retirados. A indicação de cirurgia é para aquelas situações em que a punção de tireoide já indicou um câncer, quando existe suspeita de malignidade, em casos de aumento bastante significativo da glândula, comprometendo a estética, ou em que a tireoide está comprimindo outras regiões do organismo, como o esôfago, e dificultando a deglutição.

A cirurgia é sempre necessária?

Walter Minicucci – O tratamento é sempre cirúrgico e no Brasil indica-se, em quase todos os serviços, que a tireoide seja inteira retirada, seguida de uma dose de iodo radioativo. O procedimento é realizado em unidades especializadas, não havendo necessidade de quimioterapia ou radioterapia externa.

A hereditariedade é um fator que deve ser levado em consideração?

Walter Minicucci – Algumas famílias têm incidência maior de câncer de tireoide e, nesses casos, o aparecimento de nódulos em mais de uma pessoa pode ser importante. Porém, a maior parte das pessoas que desenvolvem a doença não tem parentes com o problema.

O que é possível fazer para prevenir problemas na tireoide?

Walter Minicucci – Não existe nada que possamos fazer para evitar o problema.

Existe alguma relação entre o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo com os nódulos cancerígenos?

Walter Minicucci – Tudo indica que as pessoas que apresentam uma doença de tireoide, chamada tiroidite autoimune e que é muito frequente, têm maior chance de desenvolver nódulos cancerígenos.

Como se deve monitorar a saúde para prevenir ou identificar o problema em tempo?

Walter Minicucci – Um exame clínico anual, feito pelo médico generalista, ginecologista, pediatra ou endocrinologista, permite detectar nódulos de tireoide, na maioria das vezes. Não são recomendados exames de ultrassom de rotina, para casos em que não há suspeita de nódulos.

Fonte: Metrópole
Por Karina Fusco - Especial para a Metrópole  

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