Sarah Rubia - Eu, Meu Filho e o Diabetes

Em 2009 o Diabetes (Tipo 1) entrou na nossa vida, ninguém espera um diagnostico, mas foi de forma bruta, quando os sintomas surgiram já estava em cetoacidose (coma diabético), foi uma noite de horror até chegarmos a UTI, lá foram 5 dias.

Lembro de sentir um misto de desespero e necessidade de força quando o diagnóstico se confirmou, eu não sabia nada sobre diabetes, pra mim não era doença de criança, mas naquele momento era indispensável trazê-lo de volta sem sequelas. Eu estava completamente sem chão, sem informações, eu só pedia pela vida do meu filho mesmo sem entender nada. Depois de alguns dias na UTI fomos para o quarto, e aí a realidade bateu de frente, os médicos não sabiam lidar com o diabetes, eu não sabia nada de diabetes, as glicemias variavam de 480 a 30 em menos de 1 hora, e apesar de estar dentro de uma clínica particular, precisei contratar uma endócrino pediatra para organizar aquela bagunça toda.

Foi a mesma profissional que o acompanhou nos primeiros meses depois do diagnóstico. Uns dois meses depois eu comecei a pesquisar tudo sobre diabetes na internet, eu queria saber da sobrevida, das possibilidades, das fatalidades, eu queria conhecer o que eu estava lidando de forma profunda, eu queria entender as variações de glicemia, as interferências alimentares. Foi quando descobri que o SUS tem um excelente polo de insulina para atendimento pediátrico aqui no RJ, de imediato consegui marcar uma consulta, não levei meu filho, eu ouvia horrores sobre médicos, hospitais públicos e meu filho nunca havia entrado num hospital publico, salvo no posto de saúde para vacinação.

O chefe do ambulatório me recebeu, viu os exames do Igor, de imediato me deu as tiras reagentes ao qual meu filho tem direito, tirou algumas dúvidas e remarcou a consulta. Ali começava uma nova fase pra nós. Por um tempo mantive acompanhamento paralelo entre o particular e SUS, até que cheguei a conclusão de que a melhor equipe para acompanhar o meu filho era a da rede SUS, eu nunca saia de lá com dúvidas, mas a cada dúvida esclarecida apareciam tantas outras.

Apesar do meu filho clinicamente estar bem, eu ainda estava emocionalmente destruída, eu chorava muito, foi quando comecei a escrever o que sentia e vivia, na internet eu só havia encontrado uma outra mãe de criança com diabetes e de outro estado, conversávamos muito e me sentia bem depois da troca de informações, eu não conseguia entender porque eu não encontrava depoimentos de mães, sobre seus filhos diabéticos, e continuei a escrever, até que nasceu um blog pra escrever apenas sobre a nossa rotina. A medida que as postagens iam aumentando os leitores também, e decidi escrever para aquelas mães que passam por tudo aquilo já passei, que busquei na internet e não encontrei.

Diabetes mudou a minha vida, mudou meus valores. Tenho a melhor equipe de saúde que poderia ter para cuidar do meu filho, e como forma de agradecimento, escrevo para mães e famílias que não tem acesso ao que eu tenho, tento incentivar a luta por um futuro sem sequelas e isso tem me deixado cada vez mais forte para manter as glicemias do meu filho controlado. Hoje conheço todas as possibilidades para uma vida com diabetes, e que isso é questão das escolhas que fazemos no nosso dia-a-dia, nós escolhemos a qualidade de vida, mudamos a nossa alimentação, nossa rotina e hoje, controlar a glicemia é algo tão natural que não sentimos por furar o dedinho, não sentimos por deixar de comer certos alimentos em exagero, nem sentimos falta do fast food.

Sentimos que depois do diabetes a saúde voltou a nossa família, estávamos todos caminhando para hábitos nada saudáveis e isso só foi possível porque aceitamos que o diabetes está em nossa vida e não podemos subestimá-lo jamais, pois silenciosamente ele pode nos vencer. O caminho para a aceitação é dificil, muitas vezes significa renunciar hábitos, mudar rotinas, aprender a sonhar diferente, e é disso que trato no meu blog, acredito que nossa experiencia de aceitação e luta por uma vida sem sequelas ajude outras mães e pais a se engajarem mais nesse controle, a ver o diagnóstico de uma outra forma. Buscar informações sobre diabetes é um diferencial e ter conhecido muitas pessoas que vivem a mesma realidade que eu e meu filho, nos ajudou muito, em 2012 consegui realizar o 1º Encontro da Família e do Portador de Diabetes no Rio de Janeiro, e foi um marco para nós e para nossa história.

Ficou provado ali que estar entre iguais, com outras crianças na mesma situação faz muita diferença para a criança portadora de diabetes. Não posso dizer que não fraquejo, as vezes bate o cansaço, as forças parecem sumir, então eu escrevo e descubro que não estou sozinha, tem tantas outras sentindo o mesmo que eu. Eu queria poder enviar uma carta a cada mãe que acabou de receber o diagnóstico, aliviar a angústia, mas me contento com as que me enviam e-mail ainda do hospital, sei que é uma pequena parcela, mas só queria poder dizer: -Ei, passamos por isso e estamos aqui, com uma melhor qualidade de vida, uma infância como outra qualquer e felizes, isso vai passar! 

Sarah Rubia Baptista - Autora do Blog eumeufilhoeodiabetes.blogspot.com.br que dá apoio, conscientização e fala sobre a rotina das famílias que tem filhos com diabetes. Sarah Rubia é uma blogueira cadastrada de diabetes e está na luta pela causa desde 2009. 

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Insulina Humana

A insulina humana (NPH e Regular) utilizada no tratamento de diabetes atualmente é desenvolvida em laboratório, a partir da tecnologia de DNA recombinante. A insulina chamada de ‘regular’ é idêntica à humana na sua estrutura. Já a NPH é associada a duas substâncias (protamina e o zinco) que promovem um efeito mais prolongado.

Análogo de Insulina

Um análogo de insulina é uma forma alterada de insulina, diferente de qualquer que ocorrem na natureza, mas ainda está disponível para o corpo humano para executar a mesma acção de insulina humana em termos de controle glicêmico.

Canetas Descartáveis

As canetas descartáveis, já vem carregadas com insulina e ao terminar seu uso são dispensadas e pega-se uma nova caneta, dispensa portanto a troca de refis, tornando o uso ainda mais simples.

Canetas Reutilizáveis

As canetas podem ser reutilizáveis, e que se compra o refil de 3 mL de insulina para se carregar na caneta. Neste caso é importante observar que as canetas são específicas para cada fabricante de refil.